quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Após morte de agente penitenciário por bactéria, categoria pede intervenção sanitária


Os agentes penitenciários do Rio Grande do Norte estão temerosos quanto às condições de saúde nas unidades prisionais do Estado. A categoria reclama que não o mínimo de estrutura que mantenha a higiene das cadeias e, por isso, doenças estão se prosperando, colocando em risco a vida deles e dos detentos. Na semana passada, um agente adoeceu durante o serviço no CDP de São Paulo do Potengi e acabou morrendo infectado por uma bactéria.

“Este é o segundo caso de agente que adoece durante o serviço e morre. No ano passado, o companheiro Daniel Luz morreu após contrair meningite e, agora, o colega Douglas Silva do Nascimento, de 34 anos, morreu por causa de uma bactéria chamada Sepse”, afirma Vilma Batista, presidente do Sindasp-RN.

De acordo com ela, não é possível afirmar que os dois agentes contraíram doenças dentro das unidades, mas diante da atual situação da maioria das cadeias do RN, a preocupação da categoria tem aumentado muito. Ainda segundo Vilma, nenhum tipo de assistência foi dada pelo Estado às famílias dos agentes, que adoeceram em serviço.

“Quem já entrou em uma prisão aqui no Estado sabe do que estamos falando, são dejetos a céu aberto, muitas vezes no pátio do presídio. Além da falta de tratamento de esgoto, não há coleta de lixo frequente ou limpeza das áreas ao redor ou até mesmo dentro das unidades. Com isso, forma-se uma grande área de matagal propicia a acumular animais peçonhentos ou insetos. Todo tipo de bicho já foi encontrado pelos agentes, até mesmo barbeiros, que transmitem a Doença de Chagas”, explica.

Vilma lembra que, no ano passado, após a morte do agente Daniel Luz, o Sindicato dos Agentes Penitenciários cobrou do Governo e das autoridades, inclusive do Ministério Público, que fosse feita uma intervenção sanitária nas unidades. “Agora, votamos a pedir a mesma coisa, infelizmente, depois de perdemos mais um companheiro”, completa.

A presidente do Sindasp-RN fala ainda que os agentes penitenciário estão desmotivados, diante dessa situação e de tantos outros problemas enfrentados diariamente. “Infelizmente, o Sistema Penitenciário é o lixo debaixo do tapete. Há anos enfrentamos o descaso dos governantes e vivemos em um caos. Se o cidadão comum prestar atenção, verá, por exemplo, o governador Robinson Faria discursar que será o governador da Segurança, mas em nenhum momento ele fala do Sistema Penitenciário, nem que aplicará recursos para mudar esse quadro de falência das cadeias”.

Recentemente, o Governo do RN anunciou o pagamento de aproximadamente R$ 1,1 milhão em diárias para a PM e Polícia Civil, mas os agentes penitenciários não receberam os atrasados, sendo sete meses do ano passado e mais os deste ano já em atraso. “Mesmo buscando o diálogo, nossa categoria não tem tido atenção que merece e que precisa. Ao contrário disso, estamos sentido um tratamento diferente por parte do governador para com as categorias da segurança”.

Vilma Batista ressalta que tudo que os agentes penitenciários querem é valorização profissional e a reestruturação das unidades, de forma que eles tenham melhores condições de trabalho. “Não queremos ter que perder outros companheiros”, destaca. Nesta quarta-feira (12), os agentes penitenciários terão assembleia da categoria e cogitam deflagrar paralisação.

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