sexta-feira, 5 de maio de 2017

COMO ENFRENTAR O CRIME ORGANIZADO NAS PRISÕES

Vejo que a vontade de fazer parte de facções criminosas é maior nos Estados onde o crime tem maior liberdade dentro das cadeias, pois é bônus fazer parte mas quando o Estado está presente vira ônus ser faccionado, para tanto, a peça fundamental no combate as facções é o Agente Penitenciário, capacitado, bem pago, bem equipado e honrado.

É o Agente Penitenciário é quem combate a capitalização do crime, não deixando traficar nem ganhar dinheiro com a estrutura do próprio Estado, como por exemplo a venda de vagas em uma cama ou celas, remédio, atendimento médico, assistência jurídica, dentre tantas outras situações existentes que as facções tiram proveito por ausência do Estado.

Se os governos não se atentarem para esse detalhe estratégico que é combater as facções de forma maciça dentro das cadeias, não adiantará fazer UPPs, prisões de quadrilhas de assaltantes de bancos e etc., se eles vão para a prisão e continuam com status e ganhando dinheiro e fazendo escravos através do batismo, onde esses zumbis deixam de ter vontades e passam a ser peças sem alma e sem escrúpulos, acreditando fazer parte de algo maior, que mesmo quando saem do cárcere continuam sendo explorados junto com seus familiares e muitas vezes perdem tudo e até a vida.

Como pode ser chamado de irmandade se matam os próprios irmãos, matam os parentes dos irmãos, matam amigos dos irmãos só para ter o controle e alegando que estão combatendo a opressão do estado e estabelece a pena de morte entre sua irmandade? Só pode ser irmão do cão!

Mas tudo isso ocorre por falta de valorização do pilar principal do sistema prisional, que é o Servidor Penitenciário. É fácil resolver, só dá trabalho.

Fazendo a capacitação do agente, implantação de procedimentos, reestruturação dos sistemas, assistência aos detentos sob a tutela do estado, e a aplicação da Lei de Execução Penal e aplicação do Código Penal. Ou seja, o Estado deverá dá o quê é de direito e cobrar o quê é dever.

Lembre-se, uma vez escravo sempre será escravo! Não somente o apenado, mas a sua família. E isso tem que ser combatido dentro das cadeias, portanto, é responsabilidade dos governos.

Se combatermos o crime dentro das unidades prisionais, teremos uma segurança melhor fora das grades para nossos cidadãos. A solução está onde existe o conflito. Só seguir os dizeres da nossa bandeira: ORDEM E PROGRESSO, princípios basilares da doutrina de intervenção prisional nacional, onde já foi aplicado no Ceará através da F.I.P.I e no RN como a F.T.I.P onde mostrou sua eficiência.

MAURO ALBUQUERQUE
Coordenador da Força Tarefa de Intervenção Penitenciária
Agente de Custódia da Polícia Civil do Distrito Federal
Especialista em Segurança Pública e criador da Doutrina de
Intervenção Prisional no Brasil

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